quinta-feira, 15 de julho de 2010
A vida após a morte
Eu não fui abandonada pelos meus pais quando criança, nem morei num orfanato. Não tive uma doença degenerativa rara aos 8 anos de idade. Não tive parentes alcoólatras. Meus pais não viviam brigando e eu nunca fui vítima ou testemunha de violência doméstica. Sempre tive festas de aniversário e ganhei presentes no Natal. Nunca passei fome ou frio por necessidade financeira. Não tive muitos problemas para encontrar amigos. Sempre tive um colchão para dormir e nunca precisei dividi-lo com meus irmãos. Brinquei uma infância inteira. Estudei em colégios particulares na maior parte da minha vida escolar e tive boas notas. Não fui gorda demais nem magra demais, nem tinha um nariz estranho. Não sofri bullying. Me diverti muito, saí com meus amigos e fui a quase todas as excursões com a turma. Viajei com a família nas férias, revi tios e primos. Nunca tive problemas com namoros. Não estudei oito horas por dia para conseguir passar no vestibular. Conheci uma cidade nova, conheci pessoas novas. Não tive que dividir quarto e sempre tive TV e internet. Sempre visitei a cidade natal. Sempre tive uma vida muito boa. Foi então que, aos 18 anos, eu conheci a morte. Eu sempre soube de sua existência, é claro, mas ela sempre esteve distante e eu ainda não a havia conhecido. Depois que ela chegou, me fez pensar em todos os relacionamentos de uma vida, todos os sentimentos e pensamentos que guardamos quando deveríamos dizer, todas as palavras que gritamos quando deveríamos repensar. A morte me fez entender que a vida é breve, mas que o amor pode torna-la eterna. Depois dela eu dei mais importância às pessoas e me deixei transformar em sentimentos. Hoje tenho 19 anos e sinto, todos os dias, uma profunda saudade da melhor gargalhada e do melhor abraço amigo que alguém poderia receber, seguido da frase “Amo você magrela” em cada simples despedida.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
"Por favor, seu locutor..."

Os sons têm grandes efeitos sobre nossos corpos e sentimentos da mesma forma que todos os outros estímulos ambientais que, a todo momento vão sendo captados por nossos órgãos sensitivos. Especialmente quando buscam uma lembrança rara em nossa memória ou causam alguma outra alteração fisiológica, as cores, sabores, movimentos, aromas e os sons, marcam nossas vidas.
A música, assim como um livro, pode te levar a lugares que você nunca conheceu, pode narrar histórias, contar segredos e resgatar lembranças.
Quantas vezes você se sentiu mais vivo ou animado, emocionado, apaixonado ou “pra baixo” ao ouvir uma música ou trecho dela? Quantas vezes você se percebeu com o coração aos pulos, excitado ou envolto por um arrepio após ouvir uma frase de impacto, ou mesmo um silêncio repentino?
Isso porque diferentes tipos de música estimulam diferentes tipos de sentimentos. Por isso, os que sabem admirar e amar a boa música são mais felizes. Sabem explora-la e tirar dela o melhor proveito naquele momento que estão vivendo. São mais felizes porque sua vida está mais próxima de ser parecida com uma superprodução hollywoodiana. Sua vida tem uma trilha sonora!
Quando esse estímulo externo é admirado a tal ponto, a música deixa de ser parte de sua vida (fator externo inevitável, afinal a música está na vida de todas as pessoas mesmo que não queiram) e passa a fazer parte integrante do ser (fator interno consciente). A pessoa carrega a música consigo por onde vai, guardando na memória e na criatividade uma playlist de momentos que não caberia num aparelho tecnológico qualquer.
Dentro do grupo dos felizardos admiradores da boa música, há um grupo ainda mais seleto de pessoas: os que fazem música! Os que têm o dom da música nunca estarão sozinhos a não ser que essa seja sua vontade. Estão muitas vezes rodeados de gente que procura a boa música e mesmo quando estão totalmente sozinhos, não estão de todo solitários, porque têm à música. Poderão ver em qualquer objeto ou situação uma oportunidade de obter companhia: a música.
Música, afinal, nada mais é do que o som adquirindo sentido e se transformando em sentimento, seja ele “bom” ou “ruim”. E é claro...o bom e velho rock&roll sempre estará pronto para acolher fiéis admiradores da boa música!
A música, assim como um livro, pode te levar a lugares que você nunca conheceu, pode narrar histórias, contar segredos e resgatar lembranças.
Quantas vezes você se sentiu mais vivo ou animado, emocionado, apaixonado ou “pra baixo” ao ouvir uma música ou trecho dela? Quantas vezes você se percebeu com o coração aos pulos, excitado ou envolto por um arrepio após ouvir uma frase de impacto, ou mesmo um silêncio repentino?
Isso porque diferentes tipos de música estimulam diferentes tipos de sentimentos. Por isso, os que sabem admirar e amar a boa música são mais felizes. Sabem explora-la e tirar dela o melhor proveito naquele momento que estão vivendo. São mais felizes porque sua vida está mais próxima de ser parecida com uma superprodução hollywoodiana. Sua vida tem uma trilha sonora!
Quando esse estímulo externo é admirado a tal ponto, a música deixa de ser parte de sua vida (fator externo inevitável, afinal a música está na vida de todas as pessoas mesmo que não queiram) e passa a fazer parte integrante do ser (fator interno consciente). A pessoa carrega a música consigo por onde vai, guardando na memória e na criatividade uma playlist de momentos que não caberia num aparelho tecnológico qualquer.
Dentro do grupo dos felizardos admiradores da boa música, há um grupo ainda mais seleto de pessoas: os que fazem música! Os que têm o dom da música nunca estarão sozinhos a não ser que essa seja sua vontade. Estão muitas vezes rodeados de gente que procura a boa música e mesmo quando estão totalmente sozinhos, não estão de todo solitários, porque têm à música. Poderão ver em qualquer objeto ou situação uma oportunidade de obter companhia: a música.
Música, afinal, nada mais é do que o som adquirindo sentido e se transformando em sentimento, seja ele “bom” ou “ruim”. E é claro...o bom e velho rock&roll sempre estará pronto para acolher fiéis admiradores da boa música!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Mais louco é quem me diz...

“Faltou alguma coisa no meu dia. Talvez uma conversa agradável, uma ou duas pitadas de uma sincera e espontânea risada. Quem sabe até um elogio repentino! Confetes? Não, ainda estamos há algumas semanas do carnaval.O que quero dizer, ou questionar, é: meu Deus, devo achar normal me sentir infeliz?”
Assim é a felicidade e, conseqüentemente, a infelicidade. Não se define. Você não é capaz de dizer com precisão se é ou não é felicidade, e em que momento surgiu ou deixou de ser.
Você não é capaz de definir porque não sabe, apenas sente. E, hão de concordar, os sentimentos não podem ser tratados assim, tão dignos de confiança! Especialmente quando se trata de um ser feminino. Não que os homens tenham sentimentos superconfiáveis, porém, pode-se ao menos desconfiar que os hormônios femininos sejam bem menos previsíveis. Nunca se sabe a resposta que esperar de uma mulher. Milhões de pensamentos passam pela cabeça dela e são os hormônios atuantes no momento que a farão decidir entre: “Me desculpe, estou num momento ruim.” ou “Saia da minha frente e não apareça mais”. Ou o silêncio.
Mas não estou aqui para falar de homens e mulheres, e muito menos de hormônios. Até mesmo porque nada sei sobre eles além de uma ou outra lembrança remota das aulas de biologia no colégio. Essa conversa é sobre felicidade. Sobre ser feliz e não ser feliz.
Ser feliz ou não, pode afetar o humor, mas não depende dele totalmente. Afinal, o humor nada mais é do que um estado: estar animado, estar irritado, estar triste etc. Estar de bom-humor não significa ser feliz, e nem estar de mau-humor implica, exclusivamente em ser infeliz.
Mas, afinal, a felicidade deve ser contínua para ser classificada como tal?
Um simples fato, uma notícia, uma palavra ou uma frase pode definir a felicidade ou a “não felicidade”. Segundos antes se considerava feliz, dois minutos depois estava sentado num canto escuro e afastado da casa, soluçando em choro.
Ser feliz se trata do que se tem, ou de quem se tem? Ou de quem se é?
Não sabemos. É indefinível, indescritível. Pode tentar, o máximo que conseguirá será algumas belas metáforas. Meras comparações. A felicidade não se descreve. Felicidade se sente. Sabemos quando ela nos acompanha e quando está longe. Aliás, não sabemos, sentimos.
O grande problema: quando ela nos acompanha não nos damos conta de que ela já está ali, e seguimos a vida, felizes, perseguindo ideais. Não há porque ficar pensando nela. Achamos que nosso esforço nos conduzirá à felicidade e que ainda não a “alcançamos”, como se ela estivesse no topo de um morro, parada como um troféu, nos esperando chegar. Não ficamos imaginando que ela está ali ao nosso lado. Apenas sentimos sem ao menos ter idéia do que está acontecendo. Essa é a magia da felicidade. É quando pode-se afirmar que se é feliz: quando não há motivos para refletir sobre o sentimento nem ousadia para afirmar o concreto sobre o que é abstrato.
Na verdade, o grande problema é quando ela não nos acompanha. Ou melhor, quando nos sentimos desacompanhados. Tudo que se tem na cabeça é a infelicidade com a qual se vive. Antes você sorria dia após dia e agora, todos os dias, tem alguma coisa, mesmo que pequena, para lhe fazer chorar. A pior parte disso tudo é quando você mesmo se obriga a lembrar de tudo o que tem, das pessoas que o amam, de quem você é, e vê que não tem um bom motivo para ser infeliz. Nenhum que seja maior do que todos os motivos que tem para ser feliz.
É quando se percebe que não se trata de ser feliz ou infeliz. Se trata de ser feliz, saber que é feliz e, mesmo assim, se sentir infeliz. É quando se percebe que você só pode se sentir infeliz porque sabe o que é ser extremamente feliz, porque já se sentiu muito feliz. É quando se percebe que não notaria a felicidade que o acompanhou se não houvesse notado a sua falta. É quando se ousa afirmar com a maior das certezas, o quanto já foi feliz. E acima de tudo: é se sentir feliz por isso!
(Hermann, 2010 - escrito às 01:25 da manhã de uma quinta-feira chuvosa) ;D
Aí vai uma música que eu, particularmente, adoro e sugiro:
"Dizem que sou louca por pensar assim
Se sou muito louca por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz que não é feliz
Não é feliz
Se eles são bonitos, eu sou a Sharon Stone
Se eles são famosos, I'm Rolling Stone
Mais louco é quem em diz qe não é feliz
Não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar que Deus, sou eu!
Se eles tem tres carros
Eu posso voar
Se Eles rezam muito
Eu ja estou no céu
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz
Não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar que Deus, sou eu
Sim, sou muito louca
Não vou me curar
Já não sou a unica
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz
EU SOU FELIZ!"
(Balada do louco - versão Acústico MTV Rita Lee)
Assim é a felicidade e, conseqüentemente, a infelicidade. Não se define. Você não é capaz de dizer com precisão se é ou não é felicidade, e em que momento surgiu ou deixou de ser.
Você não é capaz de definir porque não sabe, apenas sente. E, hão de concordar, os sentimentos não podem ser tratados assim, tão dignos de confiança! Especialmente quando se trata de um ser feminino. Não que os homens tenham sentimentos superconfiáveis, porém, pode-se ao menos desconfiar que os hormônios femininos sejam bem menos previsíveis. Nunca se sabe a resposta que esperar de uma mulher. Milhões de pensamentos passam pela cabeça dela e são os hormônios atuantes no momento que a farão decidir entre: “Me desculpe, estou num momento ruim.” ou “Saia da minha frente e não apareça mais”. Ou o silêncio.
Mas não estou aqui para falar de homens e mulheres, e muito menos de hormônios. Até mesmo porque nada sei sobre eles além de uma ou outra lembrança remota das aulas de biologia no colégio. Essa conversa é sobre felicidade. Sobre ser feliz e não ser feliz.
Ser feliz ou não, pode afetar o humor, mas não depende dele totalmente. Afinal, o humor nada mais é do que um estado: estar animado, estar irritado, estar triste etc. Estar de bom-humor não significa ser feliz, e nem estar de mau-humor implica, exclusivamente em ser infeliz.
Mas, afinal, a felicidade deve ser contínua para ser classificada como tal?
Um simples fato, uma notícia, uma palavra ou uma frase pode definir a felicidade ou a “não felicidade”. Segundos antes se considerava feliz, dois minutos depois estava sentado num canto escuro e afastado da casa, soluçando em choro.
Ser feliz se trata do que se tem, ou de quem se tem? Ou de quem se é?
Não sabemos. É indefinível, indescritível. Pode tentar, o máximo que conseguirá será algumas belas metáforas. Meras comparações. A felicidade não se descreve. Felicidade se sente. Sabemos quando ela nos acompanha e quando está longe. Aliás, não sabemos, sentimos.
O grande problema: quando ela nos acompanha não nos damos conta de que ela já está ali, e seguimos a vida, felizes, perseguindo ideais. Não há porque ficar pensando nela. Achamos que nosso esforço nos conduzirá à felicidade e que ainda não a “alcançamos”, como se ela estivesse no topo de um morro, parada como um troféu, nos esperando chegar. Não ficamos imaginando que ela está ali ao nosso lado. Apenas sentimos sem ao menos ter idéia do que está acontecendo. Essa é a magia da felicidade. É quando pode-se afirmar que se é feliz: quando não há motivos para refletir sobre o sentimento nem ousadia para afirmar o concreto sobre o que é abstrato.
Na verdade, o grande problema é quando ela não nos acompanha. Ou melhor, quando nos sentimos desacompanhados. Tudo que se tem na cabeça é a infelicidade com a qual se vive. Antes você sorria dia após dia e agora, todos os dias, tem alguma coisa, mesmo que pequena, para lhe fazer chorar. A pior parte disso tudo é quando você mesmo se obriga a lembrar de tudo o que tem, das pessoas que o amam, de quem você é, e vê que não tem um bom motivo para ser infeliz. Nenhum que seja maior do que todos os motivos que tem para ser feliz.
É quando se percebe que não se trata de ser feliz ou infeliz. Se trata de ser feliz, saber que é feliz e, mesmo assim, se sentir infeliz. É quando se percebe que você só pode se sentir infeliz porque sabe o que é ser extremamente feliz, porque já se sentiu muito feliz. É quando se percebe que não notaria a felicidade que o acompanhou se não houvesse notado a sua falta. É quando se ousa afirmar com a maior das certezas, o quanto já foi feliz. E acima de tudo: é se sentir feliz por isso!
(Hermann, 2010 - escrito às 01:25 da manhã de uma quinta-feira chuvosa) ;D
Aí vai uma música que eu, particularmente, adoro e sugiro:
"Dizem que sou louca por pensar assim
Se sou muito louca por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz que não é feliz
Não é feliz
Se eles são bonitos, eu sou a Sharon Stone
Se eles são famosos, I'm Rolling Stone
Mais louco é quem em diz qe não é feliz
Não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar que Deus, sou eu!
Se eles tem tres carros
Eu posso voar
Se Eles rezam muito
Eu ja estou no céu
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz
Não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar que Deus, sou eu
Sim, sou muito louca
Não vou me curar
Já não sou a unica
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz
EU SOU FELIZ!"
(Balada do louco - versão Acústico MTV Rita Lee)
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Bandeira
Eu não quero ver você cuspindo ódio
Eu não quero ver você fumando ópio pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso, seja lá o que isso for
Eu não quero aquele, eu não quero aquilo,
Peixe na boca do crocodilo
Braço na Vênus de Milo acenando tchau.
Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro
Se bem me lembro
O melhor futuro, este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o Tejo me escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o rio Nilo,
Quero tudo ter estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo, água e sal
Nada tenho, vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida noves fora zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Zeca Baleiro - Bandeira)
Eu não quero ver você fumando ópio pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso, seja lá o que isso for
Eu não quero aquele, eu não quero aquilo,
Peixe na boca do crocodilo
Braço na Vênus de Milo acenando tchau.
Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro
Se bem me lembro
O melhor futuro, este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o Tejo me escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o rio Nilo,
Quero tudo ter estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo, água e sal
Nada tenho, vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida noves fora zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Zeca Baleiro - Bandeira)
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
V – Albert Bach
A expressão no rosto de Peter era de impaciência. George, esse é Albert. Olhei para todos os lados e não vi nem sinal de movimento. Albert, o gasparzinho?! Pensei comigo e olhei para Peter como se esperasse uma resposta dele. Foi quando percebi uma mão fria apertando a minha e chacoalhando para cima e para baixo com rapidez. Parado em minha frente estava um vampiro de corpo esguio, olhos amarelos e dedos compridos. O cabelo bem preto, comprido e caído na testa. Albert Bach, Prazer senhor...e ficou esperando que eu completasse. Demorei a lembrar o nome que havia inventado, distraído demais tentando entender como ele chegou tão rápido até mim. Smith. Prazer senhor Smith, vejo que já se alimentou do rebanho de Peter, disse ele, olhando para meu rosto como se pudesse ver, através das bochechas, a minha sede satisfeita. Olhei para Peter sem saber o que dizer e ele respondeu por mim. O senhor Smith me seguia pela rua e não pude deixar de notar que estava faminto. Albert soltou um grunhido baixo e se afastou para que pudesse me fitar de cima a baixo. Então olhou nos meus olhos que denunciavam misto de surpresa e incerteza e sorriu de leve com um só canto da boca, tombando um pouco a cabeça para um lado. Tudo ocorreu muito rápido. Graças à agilidade dele e à minha, em menos de dois segundos ele havia pulado para bem perto de mim e estava agora agachado com os dois joelhos bem dobrados, um mais acima do outro. Duas das minhas armas de fogo, uma em cada mão haviam sido sacadas da cintura, dentro da capa e eu agora apontava para Albert e para Peter. Os dois olharam espantados, talvez não estivessem esperando muito de mim, Albert sorriu animado e olhou para Peter. Porque não dorme por aqui esta noite? Temos muito para conversar e já está claro demais para que vá embora. Hum, como saberei se devo confiar em você? Perguntei, com as armas ainda mirando suas cabeças, de longe a de Peter e quase encostada na de Albert. Nessa hora Peter também havia se animado com toda a ação, e foi ele quem respondeu. Confiei o melhor do meu rebanho a você, George, entre e mais tarde poderei te explicar exatamente quem é o senhor Bach. Ele abriu mais a porta e se virou de lado, num sinal para entrarmos. Vamos! Olhei para o céu e calculei que seria impossível chegar em casa antes que o sol brilhasse. Baixei as miras e guardei as armas, ajeitando melhor para o caso de ter que usá-las mais tarde. Novamente lá estava a grande sala, a lareira e a bela jovem que tanto me agradava aos olhos e ao sabor.Lá em cima, chegamos a um quarto parecido com o de antes, cheio de livros e com mais poltronas do que a outra. Cortinas grossas, bem pesadas e de um vermelho escuro impediam que a luz do sol entrasse. Sentei e esperei que dissessem algo. Pois bem George, como pode ver Albert mora comigo, mas você deve estar se perguntando porque a cara de impaciência que fiz quando ele chegou não é mesmo? Nessa hora Albert olhou surpreso e um pouco bravo para Peter, sentado na poltrona ao seu lado. Quando estávamos lá fora e ouvimos a voz dele, soube que ele me encheria de perguntas sobre você e suas habilidades, mas felizmente, dessa vez ele estava certo! Eles sorriram animados, apesar do meu silêncio, era eu quem dominava a conversa agora. Permita-me explicar melhor, disse Albert. Tenho um trabalho a fazer em Londres e estou a procura de alguém bom o suficiente para me acompanhar. Londres? Talvez não seja uma boa idéia ter a minha companhia em Londres, respondi sério. Os sorrisos haviam sumido e Albert e Peter trocaram um olhar preocupado. Tem certeza de que seu nome é George Smith?
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Trechos
"Desmaterializando a obra de arte no fim do milênio/Faço um quadro com moléculas de hidrogênio/Fios de pentelho de um velho armênio/Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta/Desmaterializando a matéria/Com a arte pulsando na artéria/Boto fogo no gelo da Sibéria/Faço até cair neve em Teresina/Um barco sem porto,/Sem rumo,/Sem vela,/Cavalo sem sela,/Um bicho solto,/Um cão sem dono,/Um menino,/Um bandido,/Às vezes me preservo noutras suicido./Ando tão à flor da pele,/Que a minha pele tem o fogo do juízo final./com trombetas distorcidas e harpas envenenadas/Eu quero ser exorcizado/Pela água benta/Desse olhar infindo/Que bom é ser fotografado/Mas pelas retinas/Dos seus olhos lindos/Me deixe hipnotizado/Pra acabar de vez/Com essa disritmia/Ninguém vê onde chegamos/Os assassinos estão livres/Nós não estamos/Quem me dera, ao menos uma vez,/Provar que quem tem mais do que precisa ter/Quase sempre se convence que não tem o bastante/E fala demais por não ter nada a dizer/Eu não quero ver você fumando ópio pra sarar a dor/Eu não quero ver você chorar veneno/Não quero beber o teu café pequeno/Eu não quero isso, seja lá o que isso for/Não quero medir a altura do tombo/Nem passar agosto esperando setembro/Se bem me lembro/O melhor futuro, este hoje escuro/O maior desejo da boca é o beijo/Eu não quero ter o Tejo me escorrendo das mãos/Quero a Guanabara, quero o rio Nilo,/Senhoras e senhores estamos aqui /Pedindo uma ajuda por necessidade /Pois tenho irmão doente em casa /Qualquer trocadinho é bem recebido/poesia não tem dono/alegria não tem grife/quando eu tiver cacife/vou-me embora pro recife/que lá tem um sol maneiro/quando eu nasci era um dia amarelo/já fui pedindo chinelo/rede café caramelo/o meu pai cuspiu farelo/minha mãe quis enjoar/meu pai falou mais um bezerro desmamido/meu deus que será bandido/soldado doido varrido/milionário desvalido/padre ou cantor popular/Você é a ovelha negra da família/Agora é hora de você assumir e sumir/O palhaço ri dali, o povo chora daqui, e o show não pára/E apesar dos pesares do mundo/Vou segurar essa barra/Bondade sua me explicar com tanta determinação/Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou/Eu realmente não sabia que eu pensava assim/A ponte que liga, o pensamento que explica/Do ponto que parte do apartamento vizinho/Do ponto de vista do entendimento da vida./Interrogação, interroga./Tá fazendo o que em casa?/Por acaso está doente?/Ver tv é deprimente/Não tem nada mais sem graça/A casa da cumadre Joana ficava bem aqui/Seus filhos barrigudos brincavam tentando se divertir/Mas a necessidade diária cortava mais que o sol/E a transação da muamba, meu velho, caiu na mão do menor/Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,/Tudo está perdido mas existem possibilidades,/Tínhamos a idéia mas você mudou os planos/Tínhamos um plano, você mudou de idéia/Dentro da veia corre sangue viciado em adrenalina/Necessidade que não cessa nem tomando anfetamina/Espero que fique bem claro o que vamos lhe dizer/A vida não se resume a trabalhar e ver tevê/Olhar os filhos no espelho ver o crescer da pança/Achando que diversão é coisa feita pra criança/É claro que a vida lhe traz responsabilidades/Mas não rotule de velhice o que é maturidade."
Pensando em ouvir algumas da musicas que gosto, imaginei que seria interessante e valeria a pena juntar trechos de composições, geniais em minha opinião, variadas e aleatórias. O post inteiro pode ser considerado o "sugiro" de hoje, então, segue abaixo os nomes das músicas e seus cantores/compositores em ordem respectiva:
Bienal - Zeca Baleiro
A Flor da Pele - Zeca Baleiro
Heavy Metal do Senhor - Zeca Baleiro
Disritmia - Zeca Baleiro
Teatro dos Vampiros - Legião Urbana
Índios - Legião Urbana
Bandeira - Zeca Baleiro
Uma ajuda - O Rappa
Vô Imbolá - Zeca Baleiro
Ovelha Negra - Rita Lee
Jardins da Babilônia - Rita Lee
Mais do Mesmo - Legião Urbana
Interrogação - Tianastácia
Bom é quando faz mal - Matanza
Favela - Tianastácia
Sereníssima - Legião Urbana
Seu Caminho - Tianastácia
Sem dúvida existem muitas outras composições maravilhosas que não estão aqui, mas nada me impede de homenagea-las em outro post, não é mesmo!
Fica aí a dica então!
;D
Pensando em ouvir algumas da musicas que gosto, imaginei que seria interessante e valeria a pena juntar trechos de composições, geniais em minha opinião, variadas e aleatórias. O post inteiro pode ser considerado o "sugiro" de hoje, então, segue abaixo os nomes das músicas e seus cantores/compositores em ordem respectiva:
Bienal - Zeca Baleiro
A Flor da Pele - Zeca Baleiro
Heavy Metal do Senhor - Zeca Baleiro
Disritmia - Zeca Baleiro
Teatro dos Vampiros - Legião Urbana
Índios - Legião Urbana
Bandeira - Zeca Baleiro
Uma ajuda - O Rappa
Vô Imbolá - Zeca Baleiro
Ovelha Negra - Rita Lee
Jardins da Babilônia - Rita Lee
Mais do Mesmo - Legião Urbana
Interrogação - Tianastácia
Bom é quando faz mal - Matanza
Favela - Tianastácia
Sereníssima - Legião Urbana
Seu Caminho - Tianastácia
Sem dúvida existem muitas outras composições maravilhosas que não estão aqui, mas nada me impede de homenagea-las em outro post, não é mesmo!
Fica aí a dica então!
;D
terça-feira, 4 de agosto de 2009
IV – A Cidade Solitária

Você parece cansado George, está difícil conseguir sangue em Seattle? Difícil? Não se encontram mais tantos velhos sozinhos andando por aí; pelo menos não humanos. Ele sorriu. Quando cheguei aqui não havia tantos vampiros, conclui. Ele confirmou e disse que a cidade estava realmente ficando cheia nos últimos anos. Depois de mais alguns segundos de silêncio, chegamos a um belo sobrado dos anos 20, numa rua larga e bem iluminada da parte Norte da cidade. Não muito grande, mas com o espaço muito bem aproveitado. No primeiro piso havia uma ampla sala com uma lareira de centro que abrigava homens e mulheres jovens e belos. Finalmente o banquete que eu esperava! Ele deixou que eu escolhesse primeiro e ficou admirando enquanto eu me saciava. A primeira, uma mulher de aproximadamente 26 anos, cabelos bem negros, volumosos e com a parte da frente presa no topo da cabeça. Usava um vestido longo, daqueles antigos do século XIX e que, com certeza, abrigava por baixo um espartilho bem apertado. Não havia nada que pudesse ser melhor ou mais sedutor para mim naquele momento. Ela estava parada num canto perto da lareira, despreocupada, e me lançou um olhar aterrorizantemente seguro, acompanhado de um sorriso quase invisível, quando eu entrei e mais ainda quando me aproximei. Ela sabia que seria ela a escolhida e também deu um passo em minha direção. As mãos encaixavam perfeitamente na nuca, entre os cabelos grossos e espessos, tombavam a cabeça para trás, com firmeza, porém com muita naturalidade. O cheiro era a melhor coisa que eu já havia sentido até então, incomparável. Ela parecia gostar daquilo tanto quanto eu, como se desfrutasse do prazer de tomar um banho quente no inverno e deixasse a água descer de seu pescoço para todo o corpo, jogando a cabeça para trás. Eu podia ver o sangue dela pulsando por trás da pele, desejando ser sugado e após alguns segundos hipnotizado com aquela imagem, passei os dedos pelo pescoço para sentir aquela pele, e enfim me alimentei. Peter teve que me interromper para que eu não a matasse, tirando todo o sangue. Nos minutos seguintes ainda me sentia atordoado, hipnotizado. Depois Peter também escolheu uma bela jovem ruiva apenas para me acompanhar. Não parecia ter fome e parou logo, ansioso para alguma outra coisa que eu deveria temer, mas estava ocupado demais para me preocupar com qualquer outra “bobagem” naquele momento. No piso superior, alguns quartos, um banheiro e uma outra sala repleta de livros e principalmente de discos. Uma vitrola velha parecia abandonada num canto, mas já acolhia um dos discos que Peter logo pôs a tocar. Convidou-me a sentar numa das poltronas dessa sala, muito confortável por sinal. Então sentou-se na outra, de costas para a estante de livros. Há quanto tempo está em Seattle, George? Quase 32 anos, e você? Muito mais do que você, imagine só quão vazia de vampiros e até de humanos a cidade era antes, há pouco mais de noventa anos! Espantei-me com o número que saiu da boca dele e fiquei curioso pra saber há quantos anos ele havia sido abraçado, mas não ousei perguntar, não havia dúvidas para ele e muito menos para mim de que era ele quem estava conduzindo aquela conversa. Em alguns momentos cheguei a me sentir como numa entrevista, no entanto, Peter fez de tudo para manter o clima confortável da conversa. Conte-me George, você está solitário apenas agora ou sempre foi assim? Eu fechei as sobrancelhas, num sinal de que não havia entendido a pergunta. Você nunca ouviu nenhuma das histórias de Seattle? A cidade é conhecida por nós por abrigar muitos vampiros solitários, a maioria independente. Ele me explicou como havia conhecido a reputação da cidade, por meio de um amigo mais novo. Nunca havia ouvido falar dessa fama, Peter, e você, é um dos solitários? Estou sempre cercado de gente! Humanos, vampiros e amantes da gaita, entretanto, você tanto quanto eu deve entender que a solidão é real até para os que não a percebem. Nós, de Seattle, só a vemos de forma diferente. Eu concordei com tudo que ele havia dito e confirmei com a cabeça. Sendo assim, só a percebi há 32 anos. Olhei o céu pela janela e pensei naquela mulher lá embaixo, sedutora e confiante. Vejo que a manhã se aproxima, Peter, e devo ir para casa antes que o sol apareça. Claro. Descemos e ele me levou até a porta. Agradeci pela boa conversa, pelo ótimo alimento e pedi desculpas por não ter me controlado e quase ter matado uma das mulheres do rebanho. Imagine! Você até que foi bem educado para alguém faminto. Além disso, se já se alimentou de meu rebanho, acho que já pode me chamar de Pete. É como todos me conhecem por aqui. Na verdade, eu teria dito agora para me chamar de Peter se antes tivesse me chamado pelo sobrenome, mas já que você se adiantou. Naquele momento, meu rosto teria ficado vermelho de vergonha, mas com certeza o meu sorriso sem graça cumpriu muito melhor o papel de demonstrar-me encabulado, então preferi fazer brincadeira. Então nos vemos por Seattle, sr. Pete! Nós rimos juntos e eu já havia virado de costas, quando ouvimos uma voz que vinha de longe. Tem um amigo novo, Pete? Não vai me apresentar? Virei de volta para trás e vi um olhar emburrado e sério de Peter. Fiquei ali parado, preocupado, esperando alguma palavra dele e reparei que o céu começava a ficar claro. Claro demais para o meu gosto.
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