segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Bandeira

Eu não quero ver você cuspindo ódio
Eu não quero ver você fumando ópio pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso, seja lá o que isso for
Eu não quero aquele, eu não quero aquilo,
Peixe na boca do crocodilo
Braço na Vênus de Milo acenando tchau.

Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro
Se bem me lembro
O melhor futuro, este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o Tejo me escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o rio Nilo,
Quero tudo ter estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo, água e sal

Nada tenho, vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida noves fora zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver


(Zeca Baleiro - Bandeira)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

V – Albert Bach

A expressão no rosto de Peter era de impaciência. George, esse é Albert. Olhei para todos os lados e não vi nem sinal de movimento. Albert, o gasparzinho?! Pensei comigo e olhei para Peter como se esperasse uma resposta dele. Foi quando percebi uma mão fria apertando a minha e chacoalhando para cima e para baixo com rapidez. Parado em minha frente estava um vampiro de corpo esguio, olhos amarelos e dedos compridos. O cabelo bem preto, comprido e caído na testa. Albert Bach, Prazer senhor...e ficou esperando que eu completasse. Demorei a lembrar o nome que havia inventado, distraído demais tentando entender como ele chegou tão rápido até mim. Smith. Prazer senhor Smith, vejo que já se alimentou do rebanho de Peter, disse ele, olhando para meu rosto como se pudesse ver, através das bochechas, a minha sede satisfeita. Olhei para Peter sem saber o que dizer e ele respondeu por mim. O senhor Smith me seguia pela rua e não pude deixar de notar que estava faminto. Albert soltou um grunhido baixo e se afastou para que pudesse me fitar de cima a baixo. Então olhou nos meus olhos que denunciavam misto de surpresa e incerteza e sorriu de leve com um só canto da boca, tombando um pouco a cabeça para um lado. Tudo ocorreu muito rápido. Graças à agilidade dele e à minha, em menos de dois segundos ele havia pulado para bem perto de mim e estava agora agachado com os dois joelhos bem dobrados, um mais acima do outro. Duas das minhas armas de fogo, uma em cada mão haviam sido sacadas da cintura, dentro da capa e eu agora apontava para Albert e para Peter. Os dois olharam espantados, talvez não estivessem esperando muito de mim, Albert sorriu animado e olhou para Peter. Porque não dorme por aqui esta noite? Temos muito para conversar e já está claro demais para que vá embora. Hum, como saberei se devo confiar em você? Perguntei, com as armas ainda mirando suas cabeças, de longe a de Peter e quase encostada na de Albert. Nessa hora Peter também havia se animado com toda a ação, e foi ele quem respondeu. Confiei o melhor do meu rebanho a você, George, entre e mais tarde poderei te explicar exatamente quem é o senhor Bach. Ele abriu mais a porta e se virou de lado, num sinal para entrarmos. Vamos! Olhei para o céu e calculei que seria impossível chegar em casa antes que o sol brilhasse. Baixei as miras e guardei as armas, ajeitando melhor para o caso de ter que usá-las mais tarde. Novamente lá estava a grande sala, a lareira e a bela jovem que tanto me agradava aos olhos e ao sabor.Lá em cima, chegamos a um quarto parecido com o de antes, cheio de livros e com mais poltronas do que a outra. Cortinas grossas, bem pesadas e de um vermelho escuro impediam que a luz do sol entrasse. Sentei e esperei que dissessem algo. Pois bem George, como pode ver Albert mora comigo, mas você deve estar se perguntando porque a cara de impaciência que fiz quando ele chegou não é mesmo? Nessa hora Albert olhou surpreso e um pouco bravo para Peter, sentado na poltrona ao seu lado. Quando estávamos lá fora e ouvimos a voz dele, soube que ele me encheria de perguntas sobre você e suas habilidades, mas felizmente, dessa vez ele estava certo! Eles sorriram animados, apesar do meu silêncio, era eu quem dominava a conversa agora. Permita-me explicar melhor, disse Albert. Tenho um trabalho a fazer em Londres e estou a procura de alguém bom o suficiente para me acompanhar. Londres? Talvez não seja uma boa idéia ter a minha companhia em Londres, respondi sério. Os sorrisos haviam sumido e Albert e Peter trocaram um olhar preocupado. Tem certeza de que seu nome é George Smith?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Trechos

"Desmaterializando a obra de arte no fim do milênio/Faço um quadro com moléculas de hidrogênio/Fios de pentelho de um velho armênio/Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta/Desmaterializando a matéria/Com a arte pulsando na artéria/Boto fogo no gelo da Sibéria/Faço até cair neve em Teresina/Um barco sem porto,/Sem rumo,/Sem vela,/Cavalo sem sela,/Um bicho solto,/Um cão sem dono,/Um menino,/Um bandido,/Às vezes me preservo noutras suicido./Ando tão à flor da pele,/Que a minha pele tem o fogo do juízo final./com trombetas distorcidas e harpas envenenadas/Eu quero ser exorcizado/Pela água benta/Desse olhar infindo/Que bom é ser fotografado/Mas pelas retinas/Dos seus olhos lindos/Me deixe hipnotizado/Pra acabar de vez/Com essa disritmia/Ninguém vê onde chegamos/Os assassinos estão livres/Nós não estamos/Quem me dera, ao menos uma vez,/Provar que quem tem mais do que precisa ter/Quase sempre se convence que não tem o bastante/E fala demais por não ter nada a dizer/Eu não quero ver você fumando ópio pra sarar a dor/Eu não quero ver você chorar veneno/Não quero beber o teu café pequeno/Eu não quero isso, seja lá o que isso for/Não quero medir a altura do tombo/Nem passar agosto esperando setembro/Se bem me lembro/O melhor futuro, este hoje escuro/O maior desejo da boca é o beijo/Eu não quero ter o Tejo me escorrendo das mãos/Quero a Guanabara, quero o rio Nilo,/Senhoras e senhores estamos aqui /Pedindo uma ajuda por necessidade /Pois tenho irmão doente em casa /Qualquer trocadinho é bem recebido/poesia não tem dono/alegria não tem grife/quando eu tiver cacife/vou-me embora pro recife/que lá tem um sol maneiro/quando eu nasci era um dia amarelo/já fui pedindo chinelo/rede café caramelo/o meu pai cuspiu farelo/minha mãe quis enjoar/meu pai falou mais um bezerro desmamido/meu deus que será bandido/soldado doido varrido/milionário desvalido/padre ou cantor popular/Você é a ovelha negra da família/Agora é hora de você assumir e sumir/O palhaço ri dali, o povo chora daqui, e o show não pára/E apesar dos pesares do mundo/Vou segurar essa barra/Bondade sua me explicar com tanta determinação/Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou/Eu realmente não sabia que eu pensava assim/A ponte que liga, o pensamento que explica/Do ponto que parte do apartamento vizinho/Do ponto de vista do entendimento da vida./Interrogação, interroga./Tá fazendo o que em casa?/Por acaso está doente?/Ver tv é deprimente/Não tem nada mais sem graça/A casa da cumadre Joana ficava bem aqui/Seus filhos barrigudos brincavam tentando se divertir/Mas a necessidade diária cortava mais que o sol/E a transação da muamba, meu velho, caiu na mão do menor/Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,/Tudo está perdido mas existem possibilidades,/Tínhamos a idéia mas você mudou os planos/Tínhamos um plano, você mudou de idéia/Dentro da veia corre sangue viciado em adrenalina/Necessidade que não cessa nem tomando anfetamina/Espero que fique bem claro o que vamos lhe dizer/A vida não se resume a trabalhar e ver tevê/Olhar os filhos no espelho ver o crescer da pança/Achando que diversão é coisa feita pra criança/É claro que a vida lhe traz responsabilidades/Mas não rotule de velhice o que é maturidade."

Pensando em ouvir algumas da musicas que gosto, imaginei que seria interessante e valeria a pena juntar trechos de composições, geniais em minha opinião, variadas e aleatórias. O post inteiro pode ser considerado o "sugiro" de hoje, então, segue abaixo os nomes das músicas e seus cantores/compositores em ordem respectiva:

Bienal - Zeca Baleiro
A Flor da Pele - Zeca Baleiro
Heavy Metal do Senhor - Zeca Baleiro
Disritmia - Zeca Baleiro
Teatro dos Vampiros - Legião Urbana
Índios - Legião Urbana
Bandeira - Zeca Baleiro
Uma ajuda - O Rappa
Vô Imbolá - Zeca Baleiro
Ovelha Negra - Rita Lee
Jardins da Babilônia - Rita Lee
Mais do Mesmo - Legião Urbana
Interrogação - Tianastácia
Bom é quando faz mal - Matanza
Favela - Tianastácia
Sereníssima - Legião Urbana
Seu Caminho - Tianastácia

Sem dúvida existem muitas outras composições maravilhosas que não estão aqui, mas nada me impede de homenagea-las em outro post, não é mesmo!
Fica aí a dica então!
;D

terça-feira, 4 de agosto de 2009

IV – A Cidade Solitária


Você parece cansado George, está difícil conseguir sangue em Seattle? Difícil? Não se encontram mais tantos velhos sozinhos andando por aí; pelo menos não humanos. Ele sorriu. Quando cheguei aqui não havia tantos vampiros, conclui. Ele confirmou e disse que a cidade estava realmente ficando cheia nos últimos anos. Depois de mais alguns segundos de silêncio, chegamos a um belo sobrado dos anos 20, numa rua larga e bem iluminada da parte Norte da cidade. Não muito grande, mas com o espaço muito bem aproveitado. No primeiro piso havia uma ampla sala com uma lareira de centro que abrigava homens e mulheres jovens e belos. Finalmente o banquete que eu esperava! Ele deixou que eu escolhesse primeiro e ficou admirando enquanto eu me saciava. A primeira, uma mulher de aproximadamente 26 anos, cabelos bem negros, volumosos e com a parte da frente presa no topo da cabeça. Usava um vestido longo, daqueles antigos do século XIX e que, com certeza, abrigava por baixo um espartilho bem apertado. Não havia nada que pudesse ser melhor ou mais sedutor para mim naquele momento. Ela estava parada num canto perto da lareira, despreocupada, e me lançou um olhar aterrorizantemente seguro, acompanhado de um sorriso quase invisível, quando eu entrei e mais ainda quando me aproximei. Ela sabia que seria ela a escolhida e também deu um passo em minha direção. As mãos encaixavam perfeitamente na nuca, entre os cabelos grossos e espessos, tombavam a cabeça para trás, com firmeza, porém com muita naturalidade. O cheiro era a melhor coisa que eu já havia sentido até então, incomparável. Ela parecia gostar daquilo tanto quanto eu, como se desfrutasse do prazer de tomar um banho quente no inverno e deixasse a água descer de seu pescoço para todo o corpo, jogando a cabeça para trás. Eu podia ver o sangue dela pulsando por trás da pele, desejando ser sugado e após alguns segundos hipnotizado com aquela imagem, passei os dedos pelo pescoço para sentir aquela pele, e enfim me alimentei. Peter teve que me interromper para que eu não a matasse, tirando todo o sangue. Nos minutos seguintes ainda me sentia atordoado, hipnotizado. Depois Peter também escolheu uma bela jovem ruiva apenas para me acompanhar. Não parecia ter fome e parou logo, ansioso para alguma outra coisa que eu deveria temer, mas estava ocupado demais para me preocupar com qualquer outra “bobagem” naquele momento. No piso superior, alguns quartos, um banheiro e uma outra sala repleta de livros e principalmente de discos. Uma vitrola velha parecia abandonada num canto, mas já acolhia um dos discos que Peter logo pôs a tocar. Convidou-me a sentar numa das poltronas dessa sala, muito confortável por sinal. Então sentou-se na outra, de costas para a estante de livros. Há quanto tempo está em Seattle, George? Quase 32 anos, e você? Muito mais do que você, imagine só quão vazia de vampiros e até de humanos a cidade era antes, há pouco mais de noventa anos! Espantei-me com o número que saiu da boca dele e fiquei curioso pra saber há quantos anos ele havia sido abraçado, mas não ousei perguntar, não havia dúvidas para ele e muito menos para mim de que era ele quem estava conduzindo aquela conversa. Em alguns momentos cheguei a me sentir como numa entrevista, no entanto, Peter fez de tudo para manter o clima confortável da conversa. Conte-me George, você está solitário apenas agora ou sempre foi assim? Eu fechei as sobrancelhas, num sinal de que não havia entendido a pergunta. Você nunca ouviu nenhuma das histórias de Seattle? A cidade é conhecida por nós por abrigar muitos vampiros solitários, a maioria independente. Ele me explicou como havia conhecido a reputação da cidade, por meio de um amigo mais novo. Nunca havia ouvido falar dessa fama, Peter, e você, é um dos solitários? Estou sempre cercado de gente! Humanos, vampiros e amantes da gaita, entretanto, você tanto quanto eu deve entender que a solidão é real até para os que não a percebem. Nós, de Seattle, só a vemos de forma diferente. Eu concordei com tudo que ele havia dito e confirmei com a cabeça. Sendo assim, só a percebi há 32 anos. Olhei o céu pela janela e pensei naquela mulher lá embaixo, sedutora e confiante. Vejo que a manhã se aproxima, Peter, e devo ir para casa antes que o sol apareça. Claro. Descemos e ele me levou até a porta. Agradeci pela boa conversa, pelo ótimo alimento e pedi desculpas por não ter me controlado e quase ter matado uma das mulheres do rebanho. Imagine! Você até que foi bem educado para alguém faminto. Além disso, se já se alimentou de meu rebanho, acho que já pode me chamar de Pete. É como todos me conhecem por aqui. Na verdade, eu teria dito agora para me chamar de Peter se antes tivesse me chamado pelo sobrenome, mas já que você se adiantou. Naquele momento, meu rosto teria ficado vermelho de vergonha, mas com certeza o meu sorriso sem graça cumpriu muito melhor o papel de demonstrar-me encabulado, então preferi fazer brincadeira. Então nos vemos por Seattle, sr. Pete! Nós rimos juntos e eu já havia virado de costas, quando ouvimos uma voz que vinha de longe. Tem um amigo novo, Pete? Não vai me apresentar? Virei de volta para trás e vi um olhar emburrado e sério de Peter. Fiquei ali parado, preocupado, esperando alguma palavra dele e reparei que o céu começava a ficar claro. Claro demais para o meu gosto.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

III - George Smith?!?


Quando ele abriu os olhos dei um passo atrás. Vermelhos. Então me lembrei do cheiro que vinha dele. Admirei-o com curiosidade. Porque exala esse cheiro tão humanamente bom? Ele então sorriu. Apetitoso, não? Ao subir um pouco a cabeça, deixou visíveis algumas cicatrizes no rosto e pescoço. Apesar da aparência mais velha, era um homem bem forte e viril, não muito alto e de cabelos levemente grisalhos, mais pretos do que brancos. É um velho muito bonito. Daniel diria se o visse. Só uma habilidade que desenvolvi nesses tantos anos de morte. Ele disse. O que? Perguntei, ainda distraído com as cicatrizes. O cheiro! Ele ajeitou o chapéu na cabeça e estendeu a mão para me cumprimentar. Peter Vogt. Na mão havia mais algumas pequenas cicatrizes. Antigas, quase invisíveis. Prazer Peter, pode me chamar de George, George Smith. Então, George, - ele me olhou como se soubesse que eu havia mentido – você parece estar com fome?! Porque outra razão eu seguiria um velho de odor tão puramente apetitoso, pelas ruas de Seattle nessa linda madrugada chuvosa, não é mesmo? Perguntei em retórica bem-humorada. Quem sabe para ouvir o belíssimo som de sua gaita?! Por alguns segundos nós rimos juntos. Ele mostrou uma direção fazendo um sinal com a cabeça e então começamos a andar, enquanto a fala dele ecoava em minha cabeça e me fazia lembrar da música e da dor que ela havia me causado no lugar da pancada na cabeça, minutos antes. Preferi não perguntar e não comentar nada. Estava faminto e só podia imaginar em que tipo de banquete o velho estava me levando. Pelo menos era onde eu esperava que ele me levasse e não sei por que estranha razão eu confiei que deveria seguir com ele. Talvez estivesse sedento por uma noite de aventuras como antigamente, ou apenas confuso pela falta de sangue.Os primeiros 100 metros que andamos foram silenciosos. George, eu pensei comigo mesmo. Tantos bons nomes já conheci e fui logo escolher George...George Smith! Gostaria que Daniel estivesse aqui.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A gripe e a cerveja! [vale a pena ler]

É claro que eu não podia deixar de fazer um post especial para nosso famoso vírus, H1N1, já não tão novo no pedaço, não é mesmo?! Especialmente no dia de hoje, após uma notícia que causou polêmica e, em alguns, pânico. O governador do Paraná, querido Requião...bom, vejam vocês mesmos: "A Universidade Estadual de Maringá suspendeu as aulas a partir da tarde desta quinta-feira (30) até o dia 8 de agosto. As atividades acadêmicas só serão retomadas no dia 10. A UEM acatou a sugestão do governador Roberto Requião, que, hoje pela manhã, decidiu suspender as aulas em todas as universidades estaduais paranaenses e nas escolas da rede estadual de ensino por conta do crescimento de casos da gripe H1N1 no Paraná, conhecida como gripe suína."
Pois é. Mas todos já haviam voltado das férias e a maioria não tem dinheiro pra andar mais 600 e lá vai quilometros, e voltar pra Maringá depois de uma semana. É óbvio que, o pânico está presente, mas também é obvio que em momentos de suspensão de aulas, todos vão para o bar! Mais aglomerações de qualquer forma. Em homenagem a isto, quero agradecer a meu grande e louco amigo Harrison, pelas considerações finais após intenso trabalho filosófico baseado [lembrei de você Harrison auhsuahsuahu] e inspirado por dois emails que estão em "anexo" no final do post. Aí vai:

"Receita para evitar gripe suína.
Nesses tempos de um certo medo gerado pelo fato da gripe suína estar crescendo a cada dia no Brasil, recebi um e-mail com algumas dúvidas esclarecidas sobre a gripe. Uma delas era: "Como posso evitar contagiar-me?". A resposta? "Não passar as mãos no rosto, olhos, nariz e boca. Não estar com gente doente. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia.".Logo pensei: Puxa... eu não lavo a mão 10 vezes por dia, a não ser que eu vá muitas vezes ao banheiro dar aquela mijadinha. Mas como eu não tenho o costume de tomar muita água, não creio que eu lave as mãos mais que 10 vezes ao dia. Porém se todo dia eu sair pra tomar umas cervejinhas, chega uma hora que a cada 15 minutos preciso ir ao banheiro e consequentemente lavo minhas mãos a cada vez. Logo, cheguei à conclusão que cerveja ajuda na prevenção da gripe suína."

Portanto, VAMOS AO BAR! [mas sentem ao ar livre!!! uahsuahsu].
Abaixo estão os anexos citados no texto.

Anexo 1:
"5.- Como posso evitar contagiar-me?
Não passar as mãos no rosto, olhos, nariz e boca. Não estar com gente doente. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia. "



Anexo 2:
"As 10 maiores dúvidas sobra a cerveja:
1. A CERVEJA MATA?Sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja comgarrafas cheias. Anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foiatingido por uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão levando-o amorte instantânea. Além disso, casos de infarto do miocárdio em idososteriam sido associados as propagandas de cervejas com modelosboazudas.

2. O USO CONTINUO DO ALCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesacerca de 900 gramas

3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.

4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?Sim. Está provado que nas blitz a polícia nunca pede o teste dobafômetro pras gestantes. E se elas tiverem que fazer o teste de andarem linha reta, sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso dabarriga.

5. CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?Não. Uma experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dadauma caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocadosum por um diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foramalterados.

6. A BEBIDA ENVELHECE?Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se vocêdeixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu saborem aproximadamente quinze minutos.

7. A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR?Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suasrendas com a venda de cerveja nas cantinas e bares na esquina.

8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?Inúmeras pesquisas vinham sendo feitas por laboratórios de renome etodas indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.

9. CERVEJA ENGORDA?Não. Quem engorda é você.

10. A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA?Que eu me lembre, não."


Até mais e beijos!
O Sugiro de hoje vai ser no clima de contágio. Heheheh.

Sugiro: livro - "Ensaio Sobre a Cegueira" de José Saramago
Obs: lançaram o filme a pouco tempo, mas não há absolutamente nada que se compare ao prazer de ler as sábias palavras do genial Saramago. Altamente recomendado.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

II - Daniel


Vermelhos. Os olhos eram vermelhos, não amarelos. Quase tão exóticos quanto os azuis acinzentados. Imediatamente veio à minha cabeça a voz de meu grande amigo Daniel. Por pouco não são brancos! Dizia sobre os meus olhos sempre que me olhava de perto. Quase tão alvos quanto a pele do seu rosto, eu retrucava, num sorriso quase puro.
Daniel tinha, de longe, a pele mais pálida que eu já havia notado em um de nós. Apesar da muita experiência, tinha aparência nova, 22 anos no máximo. Era esperto e ligado como um lobo faminto. Comparação mal colocada, meu caro! Ele costumava dizer, com um sorriso largo no rosto, quando eu fazia piada lhe comparando a um lupino. Olhos rígidos e penetrantes, impossível definir uma cor para eles, me deixavam sem graça toda vez que me encaravam de perto. Os cabelos curtos, bem pretos e foscos. Um dos poucos que eu conheci que sentia tanto prazer em ser o que era e via diversão em cada caçada.
Aquele sacana não podia arranjar outra forma de me magoar mais que não fosse embarcar em outra de suas loucas aventuras?! Ah, como eu amava essas aventuras! Ainda me lembro de quando saíamos pela rua, famintos [na verdade, naquele tempo eu mal sabia o que era estar faminto] com uma só taça, procurando o mais puro sangue com o qual pudéssemos enche-la várias vezes. Tarefa difícil em uma madrugada fria de Liverpool, mas nada impossível para Daniel e eu.
Mais fresca ainda em minha memória é a noite em que o perdi. Há exatos 32 anos, estava em meu quarto quando chegou um carro, fazendo barulho, cantando pneu e com um som muito alto. Rock bem instrumentado, como ele sempre gostou. Ouvi os passos rápidos na escada e vi Daniel abrir a porta desesperadamente. Tentando não demonstrar o nervosismo, deu um sorriso e me olhou nos olhos. Vem comigo!
Subimos no carro e vi as coisas passando muito rápido pela janela. Ele dirigia com um braço bem esticado até o volante, a cabeça um pouco baixa, com os olhos focados na rua, como se observasse uma presa. Eu não podia parar de olhar pra ele, esperando uma resposta às milhões de perguntas que se passavam em minha mente, ou uma simples explicação. Nada. Tudo que consegui dele naquele momento foram pequenos sorrisos que tentavam me acalmar quando ele percebia o meu olhar e desviava os olhos atentos e rígidos até os meus.
Paramos em frente a entrada do aeroporto. Ele sentou meio de lado, se virando para mim. Daniel, o que está acontecendo? Eu nunca havia visto seu rosto tão sério. Ele não respondeu, começou a falar com pausas curtas, para que eu não tivesse tempo de pensar. Eu confio em você e sei que tem experiência suficiente para essa tarefa. No porta-luvas do carro tem um presente para você. Eu olhei para o porta-luvas e com uma das mãos ele trouxe meu rosto de volta ao dele. Sei que não gosta muito de Baumer, mas vá ao encontro dele assim que sair daqui. Fiz que sim com a cabeça depois de um olhar demorado dele procurando minha confirmação. Ele saberá o que fazer com o carro. Quem sabe você não acredita nele dessa vez, ahn? Ele sorriu para mim e eu continuei sério. Mas Daniel, para onde vai? O que está acontecendo? Ele pegou com as duas mãos o meu rosto inteiro e me olhou nos olhos. Não fiquei sem graça dessa vez. Não se preocupe comigo, apenas faça o que te pedi. Voltarei um dia, esteja aqui!Ele saiu do carro com pressa e deixou a porta aberta. Quando já estava perto da porta, voltou correndo e me jogou as chaves do carro. Tem um pequeno mapa no porta-luvas também. Você vai precisar dele!

terça-feira, 28 de julho de 2009

História sem fim?!

Ok. Creio que aquela história não tem continuação. Foi apenas um lapso, uma distração para alguem que havia terminado o serviço antes do fim do expediente e foi obrigado a colocar no papel as loucas idéias que tinha. Como já disse, já estou me acostumando com essas idéias. Frases que parecem surgir prontas em sua mente, como se você já as tivesse lido ou escutado em algum lugar do passado. São frases soltas que só te deixam em paz depois de repassadas a alguém, ou, a algo (ex. papel), o que é mais frequente.
Hoje mesmo revirei a cesta de lixo do quarto a procura de uma velha revista de palavras cruzadas [aprovo e recomendo, é relaxante e ativa o cérebro], na qual haviam algumas sensatas palavras de um dia nublado que achei interessante colocar aqui.

"Nessa terrível constância de pessoas caminhando com pressa, em sentido oposto ao que sigo, meus órgãos sensitivos captam inúmeras diferenças enquanto meu cérebro só consegue interpretar que todos usam o mesmo perfume adocicado e fumam 10 cigarros por hora.
Mundo mundano! Não percebem que se todos quiserem ser diferentes, continuam sendo todos iguais?!"

Bom, por hoje é só. Esse mundo mundano me força a trabalhar e já é hora de ir.
Esqueci de comentar no primeiro post, mas tentarei colocar uma sugestão ao final de todos os posts. Pode ser música, filme, texto, site etc. Pra quem tiver interesse. ;D

Até mais.
Sugiro: filme - "Sete Vidas" com Will Smith
[escrito em 28/07/2009 as 13:25h]



Bom, eu já havia publicado esse post mas voltei para reeditá-lo! Quem poderia prever que mais um dia úmido nessa não tão pacata cidade transformaria o meu lapso de idéias em uma ótima forma de distrair as minhas preocupações e ainda treinar a escrita e criatividade! Sim, a história tem continuação! Por essa eu realmente não esperava, mas foi uma surpresa agradável. Esses assuntos me dão uma nostalgia boa, dos sábados de rpg na garagem da casa do narrador [mestre, como ele preferia ser chamado, hehehe]. A idéia inicial é só exercitar mesmo a criatividade e me distrair um pouco, mas já que existem leitores, aceito dúvidas, críticas e sugestões. Prometo que eu vou tentar ;P

Até mais.
Sugiro: vídeo - "Achmed, o terrorista morto" [ http://www.youtube.com/watch?v=9dsClG9fPs0 ]

segunda-feira, 27 de julho de 2009

I - Fazia frio e o ar...



Fazia frio e o ar estava abafado e muito úmido. O céu nublado foi tomado pela cor vermelho-terra desde o cair do sol. Vesti um casaco qualquer e saí andando pela rua ainda um pouco atordoado com a pancada na cabeça. Me chamou atenção um velho mendigo que tocava uma música alegremente ritmada em sua gaita e andava do outro lado da rua, um pouco mais adiante. Presa fácil, pensei. Cheirava forte e eu estava "morto" de fome. Não pude me conter a segui-lo, embora no fundo não quisesse que o maravilhoso som de sua gaita se findasse. Como não podia deixar de acontecer, começou a chover e para meu espanto, o velho gaiteiro não parou, não acelerou o passo, não se dirigiu pra debaixo de um toldo nem tapou a cabeça com a mão. E nem eu. Continuei a andar sem que ele me notasse e foi então que a noite deixou de ser tranquila. Aquele som. Eu conhecia aquele som. Minha memória falha mandou diretamente a minha mão à cabeça. Ai! Bem em cima da pancada. Parei de andar e vi o velho continuar, mas a fome não me deixou ficar ali parado e logo deixei de lado os sinais de minha memória. O velho virou a esquina à sua esquerda e eu continuei mais rápido para não perdê-lo. A chuva engrossou e quando olhei para cima, percebi silêncio. Sem mover a cabeça, olhei para os lados. Olá amigo! Atrás de mim o velho estava parado, com a cabeça abaixada, os olhos fechados e uma mão segurando o chapéu debaixo do braço. Abriu os olhos de uma vez, sem mover mais nenhum músculo. Olhos castanhos bem claros, eu diria até...amarelos!

Sugiro: música Klavier - Rammstein

Idéia do Candreva

Pois é, quem diria que, com tantas coisas a fazer [cof, metira, cof] eu criaria um blog. A inspiração veio do novo blog do amigo Candreva, http://candrevasblog.blogspot.com/, que, assim como eu, estava sem nada pra fazer e procura um lugar para escrever suas loucuras [ou seja, textos aleatórios que surgem quando você menos espera em sua mente e que não te deixam em paz enquanto você não os transfere a um papel, ou mais tecnológica e atualizadamente dizendo, a um blog]. Não espero muitas visitas, quem sabe até, nenhuma, mas o objetivo maior [que já explicado] será assim satisfeito.

Primeiro post criado com sucesso! Maravilha tecnológica.