quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Mais louco é quem me diz...


“Faltou alguma coisa no meu dia. Talvez uma conversa agradável, uma ou duas pitadas de uma sincera e espontânea risada. Quem sabe até um elogio repentino! Confetes? Não, ainda estamos há algumas semanas do carnaval.O que quero dizer, ou questionar, é: meu Deus, devo achar normal me sentir infeliz?”
Assim é a felicidade e, conseqüentemente, a infelicidade. Não se define. Você não é capaz de dizer com precisão se é ou não é felicidade, e em que momento surgiu ou deixou de ser.
Você não é capaz de definir porque não sabe, apenas sente. E, hão de concordar, os sentimentos não podem ser tratados assim, tão dignos de confiança! Especialmente quando se trata de um ser feminino. Não que os homens tenham sentimentos superconfiáveis, porém, pode-se ao menos desconfiar que os hormônios femininos sejam bem menos previsíveis. Nunca se sabe a resposta que esperar de uma mulher. Milhões de pensamentos passam pela cabeça dela e são os hormônios atuantes no momento que a farão decidir entre: “Me desculpe, estou num momento ruim.” ou “Saia da minha frente e não apareça mais”. Ou o silêncio.
Mas não estou aqui para falar de homens e mulheres, e muito menos de hormônios. Até mesmo porque nada sei sobre eles além de uma ou outra lembrança remota das aulas de biologia no colégio. Essa conversa é sobre felicidade. Sobre ser feliz e não ser feliz.
Ser feliz ou não, pode afetar o humor, mas não depende dele totalmente. Afinal, o humor nada mais é do que um estado: estar animado, estar irritado, estar triste etc. Estar de bom-humor não significa ser feliz, e nem estar de mau-humor implica, exclusivamente em ser infeliz.
Mas, afinal, a felicidade deve ser contínua para ser classificada como tal?
Um simples fato, uma notícia, uma palavra ou uma frase pode definir a felicidade ou a “não felicidade”. Segundos antes se considerava feliz, dois minutos depois estava sentado num canto escuro e afastado da casa, soluçando em choro.
Ser feliz se trata do que se tem, ou de quem se tem? Ou de quem se é?
Não sabemos. É indefinível, indescritível. Pode tentar, o máximo que conseguirá será algumas belas metáforas. Meras comparações. A felicidade não se descreve. Felicidade se sente. Sabemos quando ela nos acompanha e quando está longe. Aliás, não sabemos, sentimos.
O grande problema: quando ela nos acompanha não nos damos conta de que ela já está ali, e seguimos a vida, felizes, perseguindo ideais. Não há porque ficar pensando nela. Achamos que nosso esforço nos conduzirá à felicidade e que ainda não a “alcançamos”, como se ela estivesse no topo de um morro, parada como um troféu, nos esperando chegar. Não ficamos imaginando que ela está ali ao nosso lado. Apenas sentimos sem ao menos ter idéia do que está acontecendo. Essa é a magia da felicidade. É quando pode-se afirmar que se é feliz: quando não há motivos para refletir sobre o sentimento nem ousadia para afirmar o concreto sobre o que é abstrato.
Na verdade, o grande problema é quando ela não nos acompanha. Ou melhor, quando nos sentimos desacompanhados. Tudo que se tem na cabeça é a infelicidade com a qual se vive. Antes você sorria dia após dia e agora, todos os dias, tem alguma coisa, mesmo que pequena, para lhe fazer chorar. A pior parte disso tudo é quando você mesmo se obriga a lembrar de tudo o que tem, das pessoas que o amam, de quem você é, e vê que não tem um bom motivo para ser infeliz. Nenhum que seja maior do que todos os motivos que tem para ser feliz.
É quando se percebe que não se trata de ser feliz ou infeliz. Se trata de ser feliz, saber que é feliz e, mesmo assim, se sentir infeliz. É quando se percebe que você só pode se sentir infeliz porque sabe o que é ser extremamente feliz, porque já se sentiu muito feliz. É quando se percebe que não notaria a felicidade que o acompanhou se não houvesse notado a sua falta. É quando se ousa afirmar com a maior das certezas, o quanto já foi feliz. E acima de tudo: é se sentir feliz por isso!

(Hermann, 2010 - escrito às 01:25 da manhã de uma quinta-feira chuvosa) ;D


Aí vai uma música que eu, particularmente, adoro e sugiro:
"Dizem que sou louca por pensar assim
Se sou muito louca por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz que não é feliz
Não é feliz

Se eles são bonitos, eu sou a Sharon Stone
Se eles são famosos, I'm Rolling Stone
Mais louco é quem em diz qe não é feliz
Não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar que Deus, sou eu!

Se eles tem tres carros
Eu posso voar
Se Eles rezam muito
Eu ja estou no céu
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz
Não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar que Deus, sou eu

Sim, sou muito louca
Não vou me curar
Já não sou a unica
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz
EU SOU FELIZ!"

(Balada do louco - versão Acústico MTV Rita Lee)

Um comentário:

  1. Realmente de mais, muitas vezes sinto exatamente esse sentimento. PARABÉNS! Fico feliz em vê-la escrever novamente, e ainda mais com uma postagem tão ótima. Muitas vezes nós sentimos infelizes, e muitas vezes como você explicou em seu texto.

    Bjos!

    ResponderExcluir